sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (1955), de Walter Benjamim.




       
       Walter Benjamin inicia a discussão com a análise do modo de produção capitalista empreendida por Marx, na qual remontou as relações fundamentais e, ao descrevê-las, previu o futuro do capitalismo, concluindo sobre a exploração crescente do proletariado e das condições para a sua própria supressão. Indica de que forma que isso se deu, na qual estas indicações comportam alguns prognósticos, embora não se refere a teses sobre a arte do proletariado depois da tomada do poder, e muito menos da sociedade sem classes, e sim das tendências evolutivas da arte, nas atuais condições produtivas, sendo que esta dialética não é menos visível na superestrutura que na economia, e que seria, falso subestimar o valor dessas teses para o combate político, colocando de lado numerosos conceitos tradicionais - como a criatividade e gênio, validade eterna e estilo, forma e conteúdo - cuja aplicação incontrolada, e no momento dificilmente controlável, conduz à elaboração dos dados num sentido fascista.
            Com o surgimento de um novo processo, a reprodução técnica, das obras de arte, em que cita alguns avanços ocorridos: Com a xilogravura, o desenho tornou-se pela primeira vez tecnicamente reprodutível, muito antes que a imprensa prestasse o mesmo serviço para a palavra escrita. Em seguida no inicio do século XIX, surge à litografia, que distingue a transcrição do desenho numa pedra de sua incisão sobre um bloco de madeira ou uma prancha de cobre, permitido às artes gráficas pela primeira vez a colocação no mercado de suas produções não somente em massa, como já acontecia antes, mas também sob a forma de criações sempre novas.  Ainda nos primórdios da litografia surge a fotografia, que pela primeira vez no processo de reprodução da imagem, a mão foi liberada das responsabilidades artísticas mais importantes, que agora cabiam unicamente ao olho. Além disso, o processo de reprodução das imagens experimentou tal aceleração que começou a situar-se no mesmo nível que a palavra oral.
Walter Benjamin aponta para algumas questões sobre a autenticidade, o valor de culto e a unicidade na obra de arte (o seu aqui e o agora), pois enquanto o autentico preserva toda a sua autoridade com relação à reprodução manual, em geral considerada uma falsificação, o mesmo não ocorre no que diz respeito à reprodução técnica, e isso por duas razões. Em primeiro lugar relativamente ao original, reprodução técnica tem mais autonomia que a reprodução manual. Em segundo lugar, a reprodução técnica pode colocar a cópia do original em situações impossíveis para o próprio original.

Embora esse fenômeno não seja exclusivo da obra de arte, podendo em um núcleo especialmente sensível que não existe num objeto da natureza: sua autenticidade. A autenticidade de uma coisa é a quintessência de tudo o que foi transmitido pela tradição, a partir de sua origem, desde sua duração material até o seu testemunho histórico. Como este depende da materialidade da obra quando ela se esquiva do homem através da reprodução, também o testemunho se perde.

Desta maneira, a obra de arte é atingida em sua aura e esse processo como sintonia ultrapassa o domínio das artes, em que a reprodutibilidade, com a retomada do sempre idêntico, contribui diretamente para a destruição do caráter único da autenticidade e da tradição.

Retirar o objeto do seu invólucro, destruir sua aura, é a característica de uma forma de percepção cuja capacidade de captar “o semelhante no mundo” é tão aguda, que graças à reprodução ela consegue capta-lo até no fenômeno único. Assim se manifesta na esfera sensorial a tendência que na esfera teórica explica a importância crescente da estatística. Orientar a realidade em função das massas e as massas em função da realidade é m processo imenso alcance, tanto para o pensamento como para a intuição.

Sobre o Ritual e política, a unicidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no contexto da tradição. Sem dúvida, essa tradição é algo vivo extraordinariamente variável. O valor único da obra de arte “autentica” tem sempre um fundamento teológico por mais remoto que seja: ele pode ser reconhecido, com ritual secularizado, mesmo nas formas mais profanas do culto do Belo.
No entanto, Benjamim trabalha com imagens dialéticas (lógicas), ao mesmo tempo em que olha para o cinema como uma experiência coletiva, co m suas consequências sociais e políticas, também o entende diante da modernidade capitalista em que essa experiência dá lugar a massificação, na qual se instaura um declínio da aura, que resulta de duas circunstâncias, ambas em relação com o crescente papel da cultura de massa atualmente. Sendo que esse declínio ocorre na modernidade por causa do desaparecimento das atividades favoráveis. Ao refletir a respeito da destruição da aura, podemos notar a inexistência do pessimismo característico dos frankfurdianos. Ao contrario, ele analisa a perda da aura pelos aspectos positivos e negativos, definindo como “única aparição de uma realidade longínqua, por mais próxima que ela possa estar”, na qual o valor da unicidade se baseia no ritual que originalmente foi dado, seu papel desempenhado pelo conceito é ambíguo: com a secularização da arte, torna-se substituto do valor cultural, fazendo assim, surgiu um novo fato: a emancipação da obra de arte da existência parasitária que lhe era imposta por sua função ritual, e a partir disso, o critério da autenticidade não mais se aplica a produção artística, e toda a função artística é subvertida, não sendo apenas uma ritual, mais de uma outra forma, a política.
Com a emancipação das obras de arte, o acesso a elas são maiores, o que afeta também a qualidade da própria natureza da arte, pois seu valor expositivo lhe empresta funções novas de maneira que a função artística apareça acessória.
Em relação às polêmicas, em curso no século XiX, entre pintores e fotógrafos, no que diz respeito aos valores respectivos das suas obras,  existente também no cinema e no teatro. Na qual no teatro, o ator apresenta diante do público sua própria atuação artística (nota-se a aparição única de algo distante, ou seja, a aura), já no cinema o ator exige a mediação de todo um mecanismo (existe no cinema, a restrição do papel da aura e a construção artificial da personalidade do ator, ou seja, o culto da “estrela” a favor do capitalismo dos produtores).
A partir do século XIX, houve a diminuição da significação social da arte, vendo aí um distanciamento entre o espírito critico e a fruição da obra. Sintoma de uma crise, em que se frui sem criticar aquilo que é convencional e o verdadeiramente novo é criticado com repugnância. Graças ao cinema, pode-se reconhecer a identidade entre o artístico da fotografia e o cientifico, até então divergentes.
Uma das tarefas da arte, na modernidade, constitui na demanda de um tempo ainda não maduro para satisfazer a plenitude, ou seja, a cada nova exigência radical, abre-se o caminho para futuro, ultrapassando seus propósitos. No caso dos dadaístas, davam pouca importância mercantil as obras e despojavam de maneira radical qualquer aura, pois impregnavam a reprodução.
A proletarização crescente do homem contemporâneo ou moderno, e as progressivas importâncias das massas que são aspectos de um mesmo processo histórico. O fascismo teve como pretensão organizar as massas sem alterar o regime de propriedade, propostas que estas tende a rejeitar, pois tem o direito de exigir transformações, permitindo a expressão, porém sem mudanças, resultando numa estetização da vida política.

CONCLUSÃO E CRITICA
Para mim, este reflexão de Walter Benjamim, é muito rico e atual, pois nos remete a diversas interpretações e nos aproxima de suas visões sobre uma teoria materialista da arte e a discussão da cultura de massa no sistema capitalista. E quando se fala na perda da autenticidade, dos valores e outros aspectos, vejo que de certa maneira a democratização o acesso da cultura de massa pode atrapalhar o desenvolvimento da sociedade, pois ficaria restrito somente na cultura da reprodução (massa), no que diz respeito, a apreciação da arte, pois muitas vezes ela pode ser desvaloriza por conta de outras formas e meios de acesso, de outro lado acho importante que toda a sociedade tenha o direito ter este acesso para a ampliação de se repertório, mais que o mesmo aprecie obras que tenham autenticidade e unicidade, bem como as existentes por conta de sua reprodução, pois talvez não teríamos o acesso ao conhecimento. 

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