Walter
Benjamin inicia a discussão com a análise do modo de produção capitalista
empreendida por Marx, na qual remontou as relações fundamentais e, ao
descrevê-las, previu o futuro do capitalismo, concluindo sobre a exploração
crescente do proletariado e das condições para a sua própria supressão. Indica
de que forma que isso se deu, na qual estas indicações comportam alguns
prognósticos, embora não se refere a teses sobre a arte do proletariado depois
da tomada do poder, e muito menos da sociedade sem classes, e sim das
tendências evolutivas da arte, nas atuais condições produtivas, sendo que esta
dialética não é menos visível na superestrutura que na economia, e que seria,
falso subestimar o valor dessas teses para o combate político, colocando de
lado numerosos conceitos tradicionais - como a criatividade e gênio, validade
eterna e estilo, forma e conteúdo - cuja aplicação incontrolada, e no momento
dificilmente controlável, conduz à elaboração dos dados num sentido fascista.
Com o surgimento de um novo
processo, a reprodução técnica, das obras de arte, em que cita alguns avanços
ocorridos: Com a xilogravura, o desenho tornou-se pela primeira vez
tecnicamente reprodutível, muito antes que a imprensa prestasse o mesmo serviço
para a palavra escrita. Em seguida no inicio do século XIX, surge à litografia,
que distingue a transcrição do desenho numa pedra de sua incisão sobre um bloco
de madeira ou uma prancha de cobre, permitido às artes gráficas pela primeira
vez a colocação no mercado de suas produções não somente em massa, como já
acontecia antes, mas também sob a forma de criações sempre novas. Ainda nos primórdios da litografia surge a
fotografia, que pela primeira vez no processo de reprodução da imagem, a mão
foi liberada das responsabilidades artísticas mais importantes, que agora
cabiam unicamente ao olho. Além disso, o processo de reprodução das imagens
experimentou tal aceleração que começou a situar-se no mesmo nível que a
palavra oral.
Walter
Benjamin aponta para algumas questões sobre a autenticidade, o valor de culto e
a unicidade na obra de arte (o seu aqui e o agora), pois enquanto o autentico
preserva toda a sua autoridade com relação à reprodução manual, em geral
considerada uma falsificação, o mesmo não ocorre no que diz respeito à
reprodução técnica, e isso por duas razões. Em primeiro lugar relativamente ao
original, reprodução técnica tem mais autonomia que a reprodução manual. Em
segundo lugar, a reprodução técnica pode colocar a cópia do original em situações
impossíveis para o próprio original.
Embora
esse fenômeno não seja exclusivo da obra de arte, podendo em um núcleo
especialmente sensível que não existe num objeto da natureza: sua
autenticidade. A autenticidade de uma coisa é a quintessência de tudo o que foi
transmitido pela tradição, a partir de sua origem, desde sua duração material
até o seu testemunho histórico. Como este depende da materialidade da obra
quando ela se esquiva do homem através da reprodução, também o testemunho se
perde.
Desta
maneira, a obra de arte é atingida em sua aura e esse processo como sintonia
ultrapassa o domínio das artes, em que a reprodutibilidade, com a retomada do
sempre idêntico, contribui diretamente para a destruição do caráter único da
autenticidade e da tradição.
Retirar
o objeto do seu invólucro, destruir sua aura, é a característica de uma forma
de percepção cuja capacidade de captar “o semelhante no mundo” é tão aguda, que
graças à reprodução ela consegue capta-lo até no fenômeno único. Assim se manifesta
na esfera sensorial a tendência que na esfera teórica explica a importância
crescente da estatística. Orientar a realidade em função das massas e as massas
em função da realidade é m processo imenso alcance, tanto para o pensamento
como para a intuição.
Sobre
o Ritual e política, a unicidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no
contexto da tradição. Sem dúvida, essa tradição é algo vivo extraordinariamente
variável. O valor único da obra de arte “autentica” tem sempre um fundamento
teológico por mais remoto que seja: ele pode ser reconhecido, com ritual
secularizado, mesmo nas formas mais profanas do culto do Belo.
No
entanto, Benjamim trabalha com imagens dialéticas (lógicas), ao mesmo tempo em
que olha para o cinema como uma experiência coletiva, co m suas consequências
sociais e políticas, também o entende diante da modernidade capitalista em que
essa experiência dá lugar a massificação, na qual se instaura um declínio da
aura, que resulta de duas circunstâncias, ambas em relação com o crescente
papel da cultura de massa atualmente. Sendo que esse declínio ocorre na
modernidade por causa do desaparecimento das atividades favoráveis. Ao refletir
a respeito da destruição da aura, podemos notar a inexistência do pessimismo
característico dos frankfurdianos. Ao contrario, ele analisa a perda da aura
pelos aspectos positivos e negativos, definindo como “única aparição de uma
realidade longínqua, por mais próxima que ela possa estar”, na qual o valor da
unicidade se baseia no ritual que originalmente foi dado, seu papel
desempenhado pelo conceito é ambíguo: com a secularização da arte, torna-se
substituto do valor cultural, fazendo assim, surgiu um novo fato: a emancipação
da obra de arte da existência parasitária que lhe era imposta por sua função
ritual, e a partir disso, o critério da autenticidade não mais se aplica a
produção artística, e toda a função artística é subvertida, não sendo apenas
uma ritual, mais de uma outra forma, a política.
Com
a emancipação das obras de arte, o acesso a elas são maiores, o que afeta
também a qualidade da própria natureza da arte, pois seu valor expositivo lhe
empresta funções novas de maneira que a função artística apareça acessória.
Em
relação às polêmicas, em curso no século XiX, entre pintores e fotógrafos, no
que diz respeito aos valores respectivos das suas obras, existente também no cinema e no teatro. Na
qual no teatro, o ator apresenta diante do público sua própria atuação
artística (nota-se a aparição única de algo distante, ou seja, a aura), já no cinema
o ator exige a mediação de todo um mecanismo (existe no cinema, a restrição do
papel da aura e a construção artificial da personalidade do ator, ou seja, o
culto da “estrela” a favor do capitalismo dos produtores).
A
partir do século XIX, houve a diminuição da significação social da arte, vendo
aí um distanciamento entre o espírito critico e a fruição da obra. Sintoma de
uma crise, em que se frui sem criticar aquilo que é convencional e o
verdadeiramente novo é criticado com repugnância. Graças ao cinema, pode-se
reconhecer a identidade entre o artístico da fotografia e o cientifico, até
então divergentes.
Uma
das tarefas da arte, na modernidade, constitui na demanda de um tempo ainda não
maduro para satisfazer a plenitude, ou seja, a cada nova exigência radical,
abre-se o caminho para futuro, ultrapassando seus propósitos. No caso dos
dadaístas, davam pouca importância mercantil as obras e despojavam de maneira
radical qualquer aura, pois impregnavam a reprodução.
A
proletarização crescente do homem contemporâneo ou moderno, e as progressivas
importâncias das massas que são aspectos de um mesmo processo histórico. O
fascismo teve como pretensão organizar as massas sem alterar o regime de
propriedade, propostas que estas tende a rejeitar, pois tem o direito de exigir
transformações, permitindo a expressão, porém sem mudanças, resultando numa
estetização da vida política.
CONCLUSÃO E CRITICA
Para
mim, este reflexão de Walter Benjamim, é muito rico e atual, pois nos remete a
diversas interpretações e nos aproxima de suas visões sobre uma teoria
materialista da arte e a discussão da cultura de massa no sistema capitalista.
E quando se fala na perda da autenticidade, dos valores e outros aspectos, vejo
que de certa maneira a democratização o acesso da cultura de massa pode
atrapalhar o desenvolvimento da sociedade, pois ficaria restrito somente na
cultura da reprodução (massa), no que diz respeito, a apreciação da arte, pois
muitas vezes ela pode ser desvaloriza por conta de outras formas e meios de
acesso, de outro lado acho importante que toda a sociedade tenha o direito ter
este acesso para a ampliação de se repertório, mais que o mesmo aprecie obras
que tenham autenticidade e unicidade, bem como as existentes por conta de sua
reprodução, pois talvez não teríamos o acesso ao conhecimento.
Por Allan Teixeira
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